Controle de Estoque – Tudo Sobre – O que é? Porque fazer? Como fazer? +5 Dicas

O que é o Controle de Estoque?

“A falta de gestão é uma das principais causas de mortalidade de empresas do Brasil.” Sebrae

Manter uma gestão atualizada na sua empresa não é tarefa fácil, como evidencia a pesquisa Causa Mortis realizada pelo Sebrae. É importante que o empresário tenha o caminho estratégico de sua empresa bem estabelecido para alcançar o sucesso, porém o lado operacional precisa acompanhar a estratégia para que seja possível atingir os objetivos almejados.

O Controle de Estoque de uma empresa é um perfeito exemplo disso. A forma como uma organização trata a importância da preocupação com seus estoques, seja de matéria prima ou de produtos acabados, ilustra os resultados da mesma. É vital para o sucesso de qualquer empresa que lide com estoques manter um inventário atualizado e, acima disso, em quantidades saudáveis financeiramente.

Controlar o estoque vai muito além de apenas saber o que há disponível dentro do inventário. Ele está diretamente ligado à estratégia que a empresa toma, pois diversas áreas se alimentam da informação vinda dos inventários. O Financeiro necessita saber se há dinheiro em caixa para pagar as contas. O Compras deve saber o que tem dentro de casa para, assim, saber o que deve adquirir. O Marketing, alinhado ao Comercial, devem saber os produtos que estão à disposição para serem ofertados e vendidos ao consumidor.

A saúde do estoque da empresa irá ditar o sucesso. Um estoque bem controlado evita desperdícios, oferece eficiência e organização nos processos internos e permite à empresa uma fluidez nos seus negócios.

Tipos de estoque

Estoque de matéria prima

Mais utilizado na indústria, o estoque de matéria prima é aquele que está disponível para a produção de bens. As empresas transformadoras consomem o estoque de matéria prima para transformá-lo em produto acabado, que é, posteriormente, vendido no varejo.

É fundamental que as informações estejam sempre atualizadas, monitorando constantemente a quantidade consumida para que a fábrica não fique desabastecida e não ocorra ociosidade das máquinas e dos processos. Muitas fábricas sofrem com multas de seus clientes por atrasos na entrega de pedidos – que ocorrem, geralmente, pela falta de matéria prima.

Simultaneamente ao controle de faltas, o estoque de matéria prima não pode sofrer com excessos. O excesso de estoque afeta diretamente o fluxo de caixa das indústrias e, se qualquer outro problema que impeça a produção ocorrer, não será possível pagar os fornecedores.

Estoque de produtos de varejo

O estoque de produtos no varejo é um pouco diferente do estoque de fábrica. Há o risco de ruptura, que é quando o cliente busca o produto no ponto de venda e não o encontra. Lidando com o consumidor final, o risco da ruptura no varejo é mais significativo, pois pode afetar negativamente a imagem da empresa.

Se um produto não está disponível em estoque, há 32% de chance do consumidor procurar outra loja para adquirir seu bem. Além destes 32%, 11% dos consumidores desistem da compra totalmente. Ou seja, em 43% das faltas de produtos em estoque, a empresa perde a venda e, possivelmente, futuras vendas (fonte Tribanco).

Semelhante à indústria, o varejo deve se preocupar também com os estoques em excesso. Além da questão financeira – o mesmo fluxo de caixa, lembra? – há a questão de espaço. Os varejistas, principalmente os de pequeno e médio porte, não podem se dar ao luxo de gastar espaço nos seus estoques com produtos que não irão vender. Devem focar nos produtos que giram e trazem faturamento para a empresa, sob pena de falirem seus negócios.

Qual a importância do controle de estoque para pequenas e médias empresas?

As empresas pequenas, geralmente, possuem uma margem de erro menor que as empresas maiores. Isso quer dizer que os erros podem ser fatais e levar a falência. As empresas médias já tem um espaço maior para errar, porém é importante controlar o risco, e controlar o estoque nada mais é do que um controle de riscos. Um controle de estoque eficiente é uma maneira de mitigar os erros, e temos 3 dicas para fazer o melhor controle possível:

  • Invista em um software de gestão: com um software de gestão, o controle de estoque e toda a operação da empresa é facilitada. Além disso, os softwares irão manter um histórico dos seus dados, o que facilita muito a análise e tomada de decisões, saindo do empírico para o científico. Saiba que existem softwares adequados para modelos de negócios específicos, então gaste um tempo pesquisando se o software escolhido realmente atende às necessidades da sua empresa.
  • Realize inventários periódicos: os produtos no estoque físico podem não condizer com o que há no sistema (isso se chama ruptura virtual) por diversos motivos, como quebra, roubo ou esquecimento de fazer a conferência do produto por parte do operador. Para isso, é importante contar o estoque físico periodicamente.
  • Treine seus colaboradores: funcionários bem treinados tendem a não cometer erros “bobos” na hora de inventariar os produtos. Além disso, estimule a proatividade dos seus colaboradores para realizarem os inventários periódicos, a fim de manter os dados de estoque sempre atualizados.

Qual a importância do controle de estoque para grandes empresas?

As empresas grandes são muito mais eficientes na manutenção de seus estoques, e o controlam de maneira muito mais rigorosa. Os investimentos em softwares são mais pesados e, muitas vezes, investem na criação de softwares próprios para gerir seus inventários.

Em muitos casos, o grande diferencial entre uma grande empresa e sua concorrente está na capacidade de reduzir custos sem prejudicar os resultados. O controle minucioso de estoque pode se mostrar um importante fator no sucesso a longo prazo da organização.

Qual a estrutura e processo de organização de um Controle de Estoque?

Classificação por divisão e periodicidade

Para realizar um bom controle de estoque, é necessário conhecermos bem nossos processos, produtos e pessoas. Os processos que serão realizados no controle devem ser eficazes e, quando possível, otimizados. Devemos compreender bem quais as particularidades dos produtos e dos fornecedores que atendem a empresa. Por fim, devemos confiar na capacidade dos funcionários de realizar um bom trabalho, e saber suas limitações para que não haja problemas.

Divisão

Que o estoque é importante para diversas áreas da empresa, já sabemos. Contudo, a visualização do que há nos armazéns pode ser diferente entre cada área. O Comercial, por exemplo, necessita saber quantas unidades dos produtos há em estoque para poder vender. Já o Financeiro deseja visualizar o valor de produtos que está estocado, pois este será um importante ativo no balanço patrimonial.

  • Físico – O estoque físico é o que mostra quantas unidades por SKU há em estoque. Mais utilizado pelo Comercial e pelo Marketing, estas áreas se nutrem da informação das quantidades de produtos disponíveis para venda. O valor dos produtos pouco importa na hora de fazer uma promoção de vendas (claro, pela ótica de estoque) – o que realmente importa é se a empresa terá insumos para cobrir sua demanda criada.
  • Valor monetário – O estoque por valor monetário é uma visualização mais utilizada pela área Financeira. Utilizam-se destes dados para avaliar o fluxo de caixa da empresa, pois os produtos em estoque nada mais são do que dinheiro parado, e é necessário que estes ativos estejam girando para que a empresa lucre. Na parte Contábil, o estoque por valor monetário é usado para lançarem os documentos de balanços patrimoniais. O Compras também faz o uso desta visualização do estoque para mensurar como deverá prosseguir com as compras dos próximos períodos, e o fluxo de caixa é um importante fator nesta decisão.Apesar de utilizar a visualização por estoque físico, o Comercial e o Marketing também se aproveitam desta forma de ver o inventário. Entender quais produtos representam mais dinheiro parado no estoque guia a tomada de ações de venda, e é vital para o fluxo de valores da empresa.

Modelos de controle de estoque

Dependendo do produto que sua empresa trabalha, e do modelo de negócio que é utilizado, o modelo de controle de estoque irá variar. Dentro de uma empresa, pode-se ter diversos modelos de controle diferentes, de acordo com a necessidade de cada produto, e é importante entender como gerir essas diferenças.

  • Mínimo – O controle de estoque mínimo é o Estoque de Segurança. Ele é a gordura que deve existir para que não ocorra ruptura. Não se deve definir um estoque de segurança igual para todos os produtos do portfólio, pois ele depende da variabilidade das vendas de cada produto. O lead time de entrega do fornecedor também influencia no cálculo do estoque mínimo, então você deve apurar esta informação com frequência para ter um estoque fidedigno.Em alguns casos, o estoque de segurança pode ser diferente do estoque mínimo. Por exemplo, em casos em que a empresa decida que é necessário que haja, a qualquer momento, no mínimo 3 unidades de um certo produto na loja. Os cálculos do estoque de segurança podem mostrar que a quantidade mínima, na verdade, é apenas 1 unidade. Contudo, conforme a política adotada pela empresa, o estoque mínimo deve ser de 3 unidades.
  • Renovação periódica e contínua – A renovação periódica é um dos modelos de controle de estoque mais utilizados no mercado. A cada ciclo, o comprador avalia a quantidade em estoque e realiza o pedido para atingir uma quantidade máxima. O tempo entre cada pedido é sempre o mesmo, porém as quantidades solicitadas ao fornecedor se alteram em função da quantidade vendida no período que passou.A renovação contínua é o contrário da periódica. A quantidade comprada é sempre a mesma, porém o tempo entre cada compra é diferente. A desvantagem deste método em relação à renovação periódica é que o acompanhamento dos níveis de estoque deve ser em tempo real, para que não haja ruptura no estoque.
  • Fim específico – Os estoques para fins específicos são aqueles sob encomenda. São estoques com menor risco, pois o consumidor já realizou a compra deste produto e, portanto, o comprador sabe o quanto deve comprar.O perigo do estoque para fim específico é se o produto é retornado, ou se o comprador adquiriu mais produtos do que deveria. Assim, a empresa deverá tomar uma ação para vender esse produto que, muitas vezes, nem consta no portfólio. Dessa maneira, um produto de baixo risco se torna um grande fardo para a empresa.

Divisão das atividades

As atividades dentro da gestão de estoques devem estar bem definidas e, ainda mais importante, explícitas para que todos no time possam entender. Se houver falha em qualquer um dos processos, pode impactar no resultado de toda a empresa, pois o estoque é o principal ativo circulante que uma empresa tem.

  • Registro – O registro dos produtos é a parte inicial do controle de estoque. Vai desde o nome e código do produto, que, se não forem colocados corretamente no sistema, irão gerar problemas futuros, até o local que o SKU será depositado dentro do armazém.
  • Fiscalização – A fiscalização dos produtos pode ser dividida em duas partes: a do controle de produtos, que envolve contagem e levantamento de produtos vencidos ou quebrados, e a tributária.
  • Gestão – A gestão do estoque deve ser realizada baseada na estratégia da empresa, e é uma das atividades mais importantes em toda a cadeia. Uma gestão pobre leva o negócio à falência, enquanto que uma boa gestão, focada em redução de custos e otimização de processos, é o diferencial de empresas que se destacam no mercado.

Super Dicas | 5 Livros para saber mais sobre Controle de Estoque

  • Gestão de Estoque: Planejamento e Controle (Bráulio W. Silva): O livro apresenta, além de diversos modelos decisórios em gestão de estoques para empresas industriais, comerciais e prestadoras de serviços, tópicos de logística e cadeia de suprimentos e temas como gestão de compras e seus principais modelos, classificação e codificação de materiais, manuseio, armazenagem e distribuição.
  • Gestão de Estoques (FGV Management) (Antônio Ayres, Cezar Sucupira e Felipe Accioly): Uma característica essencial da atividade do gestor de estoques é o pragmatismo. Gerir estoques é uma atividade que exige resultados efetivos, passíveis de mensuração e informe periódicos, aliando teoria à prática. Este livro analisa a sequência de implantação de um processo de gestão de estoques. Iniciando pela classificação e codificação dos materiais, planejamento e gestão da demanda, inclui técnicas para dimensionamento de lotes e estoques de segurança, medição de desempenho e técnicas de controle da operação de estoques. Finaliza com o planejamento orçamentário e a avaliação de desempenho da gestão.
  • Almoxarifado e Gestão de Estoques (Bruno Paoleschi): Voltado aos estudantes, profissionais da área e empresários em geral, seu conteúdo é didático e preocupa-se com a parte operacional. Possui várias planilhas para facilitar o aprendizado e a sua aplicação nas empresas, além de uma série de exercícios práticos. Abrange as etapas de planejamento industrial, PCP, produção, engenharia, marketing, gestão da qualidade, recursos humanos, finanças, vendas, manutenção, movimentação dos materiais, fluxos de produção e transportes, todos integrados em uma cadeia logística para atender bem ao cliente e visando a qualidade dos produtos.
  • Gestão da Cadeia de Suprimentos – Conceitos, Estratégias, Práticas e Casos (Sílvio R. I. Pires): O texto inicia com a apresentação do tema em um contexto histórico, mostrando como tem havido uma evolução natural dos usuais sistemas de melhoria do desempenho de uma fábrica isolada – como controle de estoque, programação da produção, just in time e sistemas avançados, incluindo o Enterprise Requirements Planning (ERP). Gestão da cadeia de suprimentos também trata de questões relevantes no tocante a sistemas e tecnologia de informação. O livro descreve algumas das práticas adotadas em empresas de ponta, como as abordagens de planejamento colaborativo, desenvolvimento da resposta eficiente do consumidor (Efficient Consumer Response – ECR), estoque gerenciado pelo fornecedor (Vendor Managed Inventory – VMI) e envolvimento do fornecedor desde a fase inicial de desenvolvimento do produto (Early Supplier Involvement – ESI). Uma vantagem final deste livro é seu foco prático baseado em muitos estudos de caso e extensiva pesquisa de campo.
  • Administração de Estoques e Compras (Nestor A. R. Filho): Para entender melhor os principais aspectos da gestão de estoque e compras no meio organizacional, você precisa compreender as práticas administrativas relacionadas à rede logística de suprimentos. Nesta obra, tratamos de temas como o controle dos fluxos de materiais, o dimensionamento de estoques, a escolha de embalagens, os diversos tipos de armazenagem e a movimentação dos produtos.

Por que fazer o Controle de Estoque?

Como falamos no início deste artigo, o controle de estoque é um processo importante para diversas área da empresa. Vamos, agora, esmiuçar por quê ele é importante para cada área.

Estimativa de vendas

A área Comercial deve saber quanto há em estoque – e quanto haverá no estoque futuramente – para saber o que pode ofertar aos clientes. É terrível para a imagem da empresa quando é gerada a demanda de um produto através de promoções, e o produto não está disponível. Dá a ideia de uma falta de organização na estratégia, e faz com que haja uma perda de confiança por parte dos consumidores. O controle de estoque vira essencial para suprir o Comercial em suas decisões estratégicas, e mantê-lo atualizado facilitará o fluxo de informações dentro da companhia.

Prever pedidos aos fornecedores

O Compras é uma das áreas mais afetadas pelo estoque e, em muitas empresas, é a área responsável pelo controle do estoque. Saber o quanto há em estoque é uma das principais variáveis na escolha da quantidade de produtos que serão comprados, por isso é importante manter o estoque bem inventariado.

Se houver ruptura virtual – aquela em que há o produto no sistema mas não fisicamente -, o comprador não irá realizar o ressuprimento, e o produto entrará em ruptura, prejudicando o faturamento. Por outro lado, se houver produtos no estoque físico e o sistema estiver acusando falta, o comprador realizará o ressuprimento e gerará excesso de estoque. Sabendo exatamente o que tem em estoque, e o que está para entrar em estoque, o comprador por estruturar uma agenda de compras e, até mesmo, reduzir os custos realizando compras em quantidade.

Identificar os melhores e piores produtos

Com um bom controle de estoque, fica fácil visualizar quais produtos se destacam positiva e negativamente no seu portfólio. Seja por um alto custo de manutenção, ou por um baixo giro, as transformações no mix de produtos são facilitadas se souber como está o estoque deles. Cabe ao planejamento estratégico da empresa saber quais produtos deseja focar, e isso deve ser bem alinhado com o Marketing, para que o consumidor certo seja atingido.

Produtos bons são aqueles que giram bem e dão bons lucros, são suas estrelas. Se houver ruptura destes produtos, seu faturamento será afetado fortemente, bem como o lucro da sua empresa. Paralelamente, aqueles produtos que não giram tanto mas dão bons lucros não podem faltar, sob pena de queda na rentabilidade.

Os produtos ruins devem ser escoados do estoque e, se possível, inativados para que não voltem a ser um problema. O controle de inventário permite saber quando os produtos estão entrando e saindo do estoque, dando uma visualização mais completa sobre o giro do produto.

Precificar produtos de forma mais inteligente

Manter estoques tem um custo e, dependendo do produto, este custo pode inviabilizar a venda do bem. Para obter lucro, devemos precificar nossos produtos acima do quanto pagamos por ele, obviamente. Mas o custo da compra é acrescido dos custos operacionais que envolvem todo o fluxo do produto dentro da empresa.

Saber o quanto está sendo gasto com a guarda dos produtos, e aqui entram custos como energia, água, segurança, é essencial para realizar a precificação correta dos bens. Além disso, estudos de elasticidade preço x demanda são ótimos para entender o padrão de consumo dos seus clientes. Entender as faixas de preço que o consumidor está disposto a investir é um atalho para o sucesso das vendas.

Criar promoções para aumentar giro do estoque

Produtos parados em estoque significam dinheiro que a empresa está perdendo. Pense como se você tivesse dinheiro embaixo do colchão. Ele poderia estar rendendo em um investimento bancário, ou mesmo sendo investido na própria empresa. É vital para a empresa que seus produtos girem no estoque e tragam retorno ao investimento feito neles.

Para saber quais promoções você irá focar, deverá saber qual o maior problema que tem em estoque. Pode ser o produto com mais excesso em quantidade, ou em valor, mas o importante é que você escoe esses produtos o quanto antes para que tenha dinheiro em caixa.

Giro do estoque e ponto de recompra

Há um conceito na gestão de estoques que é o da curva dente de serra. Esta curva ilustra a quantidade de cada SKU (Stock Keeping Unit, ou unidade de estoque) em estoque à medida que vai sendo vendido. Para cada produto, essa curva é diferente, e ela depende de alguns fatores para ser calculada.

A variabilidade da venda do produto é um deles. Se o produto tem uma venda linear ao longo do tempo, é mais fácil de prever como será seu futuro e, portanto, não há a necessidade de manter um alto estoque de segurança. Já produtos que variam muito durante as semanas que passaram tendem a perceber um estoque de segurança maior, justamente para prevenir que haja ruptura.

Outro ponto na curva dente de serra é o ponto de recompra. Esse ponto é a data quando o comprador deve realizar o ressuprimento. Ele leva em consideração o lead time (tempo entre o pedido e a entrega) de cada produto. Ao comprar o produto, é necessário que haja uma quantidade suficiente em estoque (além do estoque de segurança) até que o novo pedido chegue, alcançando então o terceiro ponto da curva dente de serra: o estoque máximo.

O estoque máximo é, como o nome diz, a quantidade máxima de um certo SKU no estoque. Novamente, cada produto deve ter seu estoque máximo baseado no seu desempenho. Tudo que está além do estoque máximo é considerado excesso de estoque, e o foco deve ser escoar esses produtos para fazer seu dinheiro girar.

Evitar prejuízos

O gerenciamento de estoques é, acima de tudo, um gerenciamento de riscos. O controle de estoque deve ser muito bem feito para que os riscos operacionais sejam extintos, de forma a maximizar o lucro da empresa. No Brasil, o segmento que mais sofre com perdas de estoque é o supermercadista, perdendo quase 2% do faturamento líquido. A média no país é de uma perda de 1,32% sobre o faturamento.

As principais causas de perdas são quebras operacionais, furtos internos e externos e erros administrativos e de inventário. Nas quebras operacionais, o maior problema é o vencimento dos produtos estocados, o que exalta a importância de ter um controle rigoroso de estoque, alinhado à uma política de FIFO (First in First out, primeiro que entra é o primeiro que sai).

O varejo físico, muito mais do que o e-commerce, deve se preocupar com estes prejuízos no estoque, pois gastos com perdas deste tipo são, além de desnecessários, motivos para acabar um com negócio. As perdas refletem no preço final do produto que, se não for competitivo frente à concorrência, causa problemas no faturamento.

Como fazer o Controle de Estoque?

Como controlar o inventário?

O controle do inventário deve respeitar as políticas de estoque estabelecidas pela empresa. Cada empresa tem sua particularidade, e é quase impossível selecionar um modelo de controle de estoque pronto e implantar na empresa. Ajustes devem ser feitos para respeitar o modelo de negócio que é usado.

O primeiro passo após a implementação do controle de estoque é extrair os resultados que estão sendo obtidos. A melhor forma é utilizando indicadores de controle de estoque. Novamente, entender quais as melhores métricas para o seu negócio é vital para que não se perca tempo correndo atrás do que não renderá frutos. Busque a eficiência na medição dos indicadores.

O cálculo dos custos dos produtos será facilitado com o controle do inventário. Ao saber quanto você está gastando para armazenar os produtos que comprou, a precificação fica mais assertiva, e seus lucros são mais perceptíveis.

É fundamental que, para um bom controle de estoque, um software de gestão seja implantado. Porém, se for possível, a utilização de outras fontes de informações agregam ainda mais valor para seu negócio. As tecnologias emergentes, como inteligência artificial e machine learning, conseguem extrair informações de onde menos se espera, e auxiliam no processo de decisão dos responsáveis pelo estoque.

Mas controlar o inventário deve ser uma tarefa que envolve um alto nível de estratégia da empresa. As atividades à longo prazo irão depender dos níveis de estoque no futuro, e a empresa precisa estar preparada quanto o momento chegar. O planejamento do estoque deve ser feito sempre pensando para frente, pois as vendas passadas não podem ser recuperadas, mas as vendas futuras ainda podem ser disputadas entre sua empresa e seus concorrentes. Ter os produtos disponíveis quando o momento da venda acontecer é uma grande vantagem sobre a concorrência.

Como medir resultados e controlar o estoque?

Métricas e Indicadores

A principal forma de medir o sucesso de qualquer processo ou projeto é através dos indicadores obtidos. No mercado, as métricas mais utilizadas são a cobertura de estoque, tempo de ciclo e a acuracidade do inventário.

A cobertura de estoque indica quantos dias cada produto estará disponível para suprir a demanda. O ideal é que este número não seja muito alto, com poucos dias de estoque, o que indica um bom giro dos produtos. O tempo de ciclo, também chamado de lead time, é um indicador que calcula o tempo entre o pedido ao fornecedor e o recebimento dos produtos na empresa. Este número irá guiar os lotes de compras da empresa. Já a acuracidade do inventário busca prevenir a ruptura virtual. Ela calcula a razão entre a quantidade física de produtos em estoque e a quantidade disponível no sistema de gestão. Se a razão for inferior a 1, significa que há mais produtos no sistema do que de fato há em estoque, evidenciando a ruptura virtual.

No James Tip, adicionamos um indicador que reflete a saúde do estoque do varejista. Avaliamos a quantidade de produtos que estão com risco de ruptura, a quantidade de produtos que estão em excesso e a quantidade de produtos que têm um estoque saudável. Essa métrica é feita utilizando os cálculos de estoque máximo e de segurança, e cada produto tem seu próprio parâmetro calculado. Assim, chegamos a um indicador preciso de quão saudável é o estoque do cliente.

Como calcular o custo de armazenagem?

O custo de armazenagem depende muito dos dados que estão disponíveis na empresa. Quanto mais dados, mais preciso será o custeio do estoque – e mais fiel será a margem de lucro imposta em cada produto. Para realizar um custeio fidedigno, devemos considerar fatores relacionados diretamente ao estoque, como o custo da mercadoria, o custo de armazenagem e o custo de serviços, e também os fatores não relacionados diretamente ao estoque, como o custo de capital.

O custo da mercadoria é, basicamente, o preço pago ao fornecedor pelo produto, acrescido do frete e dos impostos. Na sua forma mais simples, esse pode ser o custo considerado para precificar o produto para o cliente final, porém não será considerado os custos fixos de operação, o que pode gerar prejuízos gravíssimos.

O custo de armazenagem envolve tudo que está disponível para a empresa manter seu estoque, como energia elétrica, água, aluguel de um depósito, impostos e outros valores que estejam relacionados às condições necessárias para manter o produto vendável. Estes custos devem ser rateados de acordo com a demanda de cada SKU pelos serviços que são necessários para mantê-los. Semelhante ao custo de armazenagem, os custos de serviços de estoque são aqueles que são despendidos para a gestão do estoque. Serviços de TI, segurança do espaço, recursos humanos, entre outros devem ser contabilizados para que haja uma precificação mais correta do produto. Uma sugestão para que todos esses custos sejam considerados é que a empresa tome como método de custeio o centro de custos, uma forma de distribuir os custos dentro de cada área da empresa.

Além dos custos diretamente conectados ao produto no estoque, temos também o custo de capital, que deve ser considerado, pois o dinheiro que foi investido no estoque poderia estar sendo investido em outras coisas. Esse custo varia de empresa para empresa, podendo girar entre 5% a 15%, dependendo de diversos fatores internos relacionados à gestão do negócio.

Como fazer um planejamento do estoque de longo prazo?

A estrutura da gestão do estoque deve ser pensada, também, à longo prazo. Os responsáveis pelo controle do estoque devem estar cientes de que se não pensarem para frente, podem enfrentar os mesmos problemas de rupturas e excessos, porém com mais força. Datas comemorativas são um ótimo exemplo disso. Se um supermercado não planeja seu estoque para ter ovos de Páscoa nas semanas que antecedem a data, os consumidores deixarão de ir na loja e buscarão os produtos em outros lugares.

Semelhante à isso, um supermercado que, baseado nas vendas das últimas semanas, comprou muito panetone em Janeiro, está destinado à ter o problema do excesso, pois perdeu a sazonalidade de venda do produto. Para que esses erros não ocorram, é imprescindível que o gestor do estoque esteja atento aos eventos externos à sua empresa, pois eles irão moldar o jeito que o mercado irá agir.

Como utilizar a Inteligência Artificial e Machine Learning para aumentar as vendas e economizar no Controle de Estoque?

A Inteligência Artificial é definida como uma forma de melhorar a capacidade do ser humano em tarefas racionais, ou seja, aquelas que não dependem de uma inteligência emocional. No James Tip, a IA é utilizada para analisar todos os produtos do cliente de forma tão detalhada quanto um ser humano conseguiria fazer para apenas alguns produtos. Aliado ao uso da IA, o machine learning é uma ótima ferramenta para aprender com os dados que estão à disposição da empresa.

Após o aprendizados dos padrões de consumo pelo robô James, ele começa a gerar insights que facilitam o controle do estoque. Além de informar exatamente o que deve ser comprado, auxiliando a área do Compras a ser mais efetiva, o James, através do milhões de cálculos por segundo que realiza, consegue estabelecer padrões no consumo de cada produto, indicando oportunidades de vendas adicionais, que podem ser realizadas para escoar estoques em excesso e aumentar o ticket médio.

O James também dispõe de uma classificação exclusiva de produtos, que ilustra perfeitamente o comportamento de cada produto do inventário. A inteligência artificial, então, atua em diversos processos de decisão, analisando como serão os possíveis resultados, e sugere ações a serem tomadas. Os responsáveis pela estratégia da empresa podem, dessa maneira, atuar com muito mais certeza, baseada em dados, do que se o fizessem empiricamente.

Como automatizar o Controle de Estoque?

A automatização do controle de estoque confere à empresa um aumento na precisão dos processos, redução nos retrabalhos e auxílio na compreensão de quais os melhores produtos do portfólio. Atualmente, com a quantidade de informações necessárias para tomar uma decisão acertada, é quase impossível gerenciar um estoque sem um software de gestão. Eles facilitam a vida do gestor e, paralelamente, mantém um histórico dos dados que passaram pelo inventário.

Com a inteligência artificial, podemos incrementar ainda mais o bom resultado de um controle de estoque automatizado. Com os insights gerados pelo James, por exemplo, o comprador, que gastaria muito tempo tomando a decisão dos produtos que deve comprar, pode apenas acatar as ações indicadas pelo robô, focando seus esforços na negociação de melhores preços com seus fornecedores.

Como reduzir rupturas no controle de estoque?

O controle de estoque não pode ser visualizado como um projeto dentro da empresa. Ele deve ser um processo realizado constantemente, de acordo com a necessidade e o rigor imposto pela organização, para que as informações estejam sempre o mais próximo da verdade possível.

Mantendo um controle de estoque atualizado, fica fácil para o comprador visualizar as necessidades de compra que devem ser atendidas no período. Além disso, saber quais os produtos mais importantes é relevante na hora de “abrir o cofre”, de forma a direcionar os recursos no que realmente trará frutos para o negócio.

A redução das rupturas está conectada ao controle de estoque justamente pela necessidade de tê-lo sempre atualizado. Ao mesmo tempo, as vendas realizadas no ponto de venda devem ser registradas no momento em que acontecem, para que não haja erros no cálculo da variabilidade dos produtos, que influencia no estoque de segurança. Manter uma gordura no estoque é essencial para a queda nos níveis de ruptura, mas devemos cuidar para esta sobra não se tornar um excesso de estoque – para produtos com baixo giro, a linha entre a ruptura e o excesso é tênue.

Super Dicas | 5 Dicas do CEO da James Tip para ter sucesso no Controle de Estoque

  • Mantenha o estoque inventariado: É o primeiro passo para reduzir as perdas no estoque. Sem controle de inventário não há como saber o que deve ser feito.
  • Implemente o FIFO/PEPS: Produtos que entram primeiro no estoque devem ser vendidos primeiro. Isso reduz o risco de uma compra de maior volume resultar em produtos vencidos ou esquecidos.
  • Olhe para a venda futura: Para saber o que comprar é preciso saber o que vai vender. Evite utilizar médias, pois desconsideram os comportamentos e tendências de cada produto.
  • Calcule e mantenha o nível de estoque ideal: O nível ideal é aquele onde há o menor risco de rupturas e perdas por vencimento, obsolescência. Quanto menor o nível de estoque, maior o giro do estoque e menor o risco de quebra de estoque.
  • Invista em soluções de tecnologia: A tecnologia serve para auxiliar e alavancar o trabalho humano. Investir em soluções podem ser altamente vantajosos para seu negócio.

Autores: Gustavo Roberto e Rodrigo Torres

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